O amor é um acto de vontade

Crónicas 11 fevereiro 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

Aqui, no Perú, tive e irá ter muitas experiências transformadoras e extraordinárias. Uma delas foi sem dúvida viver em comunidade. Foi o concretizar de um sonho. Eu sempre soube que era possível viver em comunidade ou família sem violência. Sempre que o afirmava como um sonho possível para mim, sorriam como quem me dizia: “boa sorte com isso”. Agora vivo-o.

 

Não há truques de magia que não a vontade. Não, lamento informar, ainda não inventaram um tango que se baile sozinho. Então sim para que uma família ou comunidade funcione temos de caminhar lado a lado em conjunto e falar o que sentimos o que queremos. Existem dias difíceis. Cliché ou não. Acreditem ou não. Encontramo-nos no meio. Eu sei as minhas inseguranças. Conheço os filmes que faço na minha cabeça. Sei da minha ansiedade, do meu medo e do quanto eu detesto mudar de planos. Tento tirá-los da equação para juntas, vendo para lá das nossas imperfeições, cheguemos a um lugar onde somos simplesmente nós. Onde ela é. Eu sou. E em conjunto somos. Nos adaptamos, evoluímos e somos em conjunto. Nunca duvidem que apenas o somos porque nos permitimos ser. Porque temos vontade de o ser. Porque nos amamos e nos suportamos com paciência e bom humor.

 

Tentar de alguma maneira despidos de nós encontrarmo-nos no meio. E o meio é bom. Eu era de extremos mas agora em certas ocasiões comecei a gostar do meio. Porque estar e encontrar este meio-termo fez-me limpar feridas, curar-me, ser mulher e evoluir. Estar no meio é ao contrário do que pensei estar fora da minha zona de conforto. É experimentar coisas diferentes, opções diferentes. É crescer abandonando o medo de nos perder. Talvez tenha perdido muitas coisas. Mas no final descobri que afinal não precisava assim tanto dessas coisas. Eu que sou demasiado agarrada a pessoas e a coisas aprendi a partilhar. Aprendi que nada é meu. Aprendi que tudo é nosso, que tudo quanto sou e quanto tenho pode ser partilhado aos outros e com os outros. Ele deixou de ter coisas para usá-las. Não há nada mesmo nada que tenho que não possa partilhar. Não preciso nada além de amor para ser feliz. Não preciso nada além de dar e receber amor para ser feliz.

Paula Ascenção

Cronista

Leiga Missionária Comboniana por vocação. Gerontóloga de profissão. Nasci do amor e fiz d’Ele o meu caminho e missão. O meu lema de vida é “Ama e farás o que quiseres”. Peregrina de mim, viajante da vida, do mundo e das pessoas. Levo o coração como bússola e o amor de Deus como mapa no bolso de trás.

Subscrever Newsletter

Receba os artigos no seu e-mail