Precisamos de Empatia!

Crónicas 05 fevereiro 2019  •  Tempo de Leitura: 4 min

Hoje mais do que nunca, precisamos de Empatia. Desde que o bairro da Jamaica "saltou" para os órgãos de comunicação e para as redes sociais, que os conceitos de Xenofobia e Empatia voltaram como tema às minhas aulas e às conversas de amigos. Precisemos os conceitos.

 

Xénia é a antiga palavra grega que indicava o conceito de hospitalidade. Era sagrada e protegida por Zeus. Quando um estrangeiros aparecia à porta, o dono da casa devia acolhê-lo ou enfrentava a ira dos deuses. Daqui depreendemos que esta palavra pré-cristã, revela que o acolhimento é um valor profundamente enraizado na cultura europeia. Hoje encontrámo-la "envolvida" com um outro termo: xeno-fobia. Ou seja, medo do estrangeiro, do hospede, do desconhecido.

 

Empátheia é a palavra grega que dá origem à nossa Empatia. Formada por En, "em", mais Pathos, "emoção, sentimento". É uma forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com uma pessoa, uma ideia ou uma coisa, ou seja, a capacidade de compreender a perspetiva das outras pessoas e a habilidade de experimentar as reações emocionais por meio da observação da experiência alheia. No fundo, a capacidade de se colocar no lugar do outro.

 

Mais do que defender a posição de um ou do outro lado da "barricada", sou capaz de colocar-me no lugar daqueles que desconheço? Quer sejam policias, quer sejam habitantes do bairro! Não tenho dúvida alguma que a maioria dos conflitos nascem da ignorância. O desconhecido mete-me medo e qual é a minha reação primária? Pôr-me à defesa!

 

Esta fobia é alimentada pelos meios de comunicação, muitas vezes através das ditas Fake News, contagiando toda a sociedade. Aliás os "espertos da comunicação" sabem quais as técnicas eficazes para ativar as emoções do público, agindo sobre o inconsciente. E a raiva e o medo são duas "teclas" muito sensíveis.

 

Wulf Dorn, autor alemão que depois de 20 anos como psicoterapeuta tornou-se escritor, escreveu o romance "Phobia". Ele escreveu sobre o medo de tudo o que de inesperado pode acontecer-nos na vida; das inquietudes do homem contemporâneo, inclusive do terrorismo.

 

Segundo Dorn, a nossa sociedade sofre cada vez mais de ansiedade e novos medos apareceram no nosso quotidiano. Além do medo da doença ou da perda de trabalho, está o terrorismo, a comida envenenada pelos químicos, a chegada de vírus de outros continentes… «O meu parecer é que se trata de um efeito colateral da chamada "era da informação". O mundo globalizado tornou-se num lugar muito pequeno e nós sabemos muito mais hoje do que no passado. O fluxo de informação é cada vez maior. Por vezes, mais do que aquele que a nossa mente está preparada para elaborar e digerir. E assim aumentam os nossos medos».

 

Temos necessidade de uma nova humanidade, marcada por uma solidariedade viva e autentica com e para todos. No nº 188 da Evangelii Gaudium, o Papa Francisco escreveu: «Embora um pouco desgastada e, por vezes, até mal interpretada, a palavra "solidariedade" significa muito mais do que alguns atos esporádicos de generosidade; supõe a criação duma nova mentalidade que pense em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns.»

 

A Empatia que precisamos é esta capacidade de colocar-nos no lugar do outro e pensarmos se viveríamos nas mesmas condições, sejam elas de habitação, educação, acesso ao emprego, trabalho justamente remunerado… Precisamos de uma Empatia que nos coloque no lugar do mais pobre, do mais desprotegido, do inocente. Só assim construiremos um mundo novo com uma mentalidade comunitária. Os cristãos têm em Jesus Cristo o maior exemplo de Empatia: O que foi a Encarnação, senão um Deus que se colocou na pele e não só no lugar do outro?

 

Votos de uma semana empática.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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