O que disse, o Papa Francisco...

Crónicas 08 janeiro 2019  •  Tempo de Leitura: 4 min

A semana passada ficou marcada pelo sururu sobre o que o Papa Francisco disse na audiência do dia 2 de Janeiro. A frase mais repetida nos meios de comunicação social foi: "Mais vale ser um ateu do que um cristão hipócrita".

 

Esta citação não está correta. O que o Papa disse foi: “E quantas vezes nós vemos o escândalo daquelas pessoas que vão à igreja, estão lá todo o dia, ou vão todos os dias, e depois vivem odiando os outros e falando mal das pessoas. Isto é um escândalo. Melhor não ir à igreja. Viva assim como ateu. Mas se você vai à igreja, viva como filho, como irmão e dê um verdadeiro testemunho. Não um contratestemunho”.

 

Já não é a primeira vez que a nossa comunicação social fica "pela rama" do que o Santo Padre nos quer dizer. Francisco não anda "aos sete ventos" a apelar à incredulidade. Não! O que ele pretende comunicar é aquilo que todos nós dizemos entre amigos e conhecidos. Ou seja, para não fazer como o adágio popular: "Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz".

 

Sejamos honestos. Se nos olhar-mos ao espelho deparamo-nos com esta realidade: estamos fartos de discursos; estamos cheios de boas palavras; estamos cansados de "lindas homilias" sem consequências práticas. De que servem grandes reflexões sobre boas atitudes e comportamentos se o "pregador" não testemunha com a vida aquilo que prega?

 

Ainda ontem na missa que celebrou na Casa de Santa Marta, Francisco repetia que o cristianismo vive de ações "concretas" e não de "palavras bonitas". O cristianismo, o ser cristão é uma "concretude" da fé que se professa. Não basta apenas dizê-lo. É preciso; é urgente vivê-lo! Tal como Cristo, nasceu de "uma mulher concreta" e teve uma "vida e uma morte concretas", todos aqueles que n'Ele acreditam, têm que ter uma intervenção "concreta" e palpável no mundo em que vivem.

 

Qual é a experiência que um "formador" ou "educador" tem com os jovens e adolescentes? É que estes o seguem, quando vêm na sua vida a concretização do que professa!

 

Estamos cansados de ouvir boas palavras: «As boas palavras leva-as o vento»!

 

Mesmo que o Santo Padre tivesse dito que era melhor ser ateu que um católico hipócrita, não estaria chocado. Porque do que eu estou farto é mesmo disso: cansam-me a lindas palavras, estou farto das más ações de tantos que se dizem cristãos católicos…

 

Passam 15 dias da celebração do Natal; 2 dias da festa dos Magos e das suas ofertas, e no entanto, não fomos capazes de "tomar um outro caminho"... Como disse D. Tonino Bello a propósito da Epifania: «É o dia da genuflexão também para nós. E também do ofertório dos dons. Mas, acima de tudo, da decisão de voltar para casa seguindo outro caminho ".

 

O encontro com Jesus na manjedoura deve ser o fim da hipocrisia das palavras e o início da "concretude" das ações. É isto que o Papa Francisco nos anda a dizer!


Boa semana.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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