III Advento: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar...»

Crónicas 15 dezembro 2018  •  Tempo de Leitura: 5 min

Aperto… é o que sinto no peito, quando há algo que anseio e demora a chegar!
Apertado… errante e perdido permanece o meu pensamento, quando anseia sem procurar, o que está pra chegar!
Apertar… tudo o que existe e toda a criatura que respira, quando anseio que me levem onde quero chegar!

 

Quero viver este aperto como se fosse o último ar que inalo na vida.
Sei que és Tu, Senhor, quem vem ao meu encontro para me rodear com factores infinitos de um amor,
que só pode resultar numa felicidade extrema.
Em Ti, por Ti e para Ti quero Ser O produto de uma experiência de oração e atitude que pode mudar o mundo…
Quero Ser: Balde simples e modesto:
«Tirareis água com alegria das fontes da salvação. 
e quero Ser Anunciador, porque o meu Baptismo me torna forte e capaz de com gestos…
«Agradecer ao Senhor, invocar o seu nome; anunciar aos povos a grandeza das suas obras, 
proclamar a todos que o seu nome é santo.»

 

Que na vida de cada um de nós haja a certeza de que:
«Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor…»
porque depende de nós (de mim e de ti) a vitória da Paz, da Alegria, da Fé e da Esperança!
Não… «Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias,
apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças.»
Então… ajoelha-te, inclina a cabeça, rasga o teu coração e deixa que os teus olhos falem!

 

Hoje, no 3º domingo do Advento, do Ano C, S. João Baptista, avalia o nosso coração!
Fita-nos nos olhos com palavras duras e desafios inatingíveis para quem tudo tem, para quem tudo sabe…
Mas, o que temos afinal? O que é nosso? O que sabemos? E as multidões perguntam: «Que devemos fazer?».
Se João Baptista anunciasse agora a vinda Daquele a quem:
«eu(João)não sou digno de desatar as correias das suas sandálias»
Voltaria a falar do Amor… do viver em Amor, e como nos diz Santo Agostinho: “Ama e faz o quiseres!”

 

Habitamos o século XXI com toda a tecnologia e toda a rapidez que alguma vez já existiu!
Os dias transformam-se em segundos… O diálogo em escrita digital… o beijo num hieróglifo…
e a troca de olhares não é face a face: é de câmara para câmara!
Tão perto e tão longe uns dos outros! Partilhamos tudo sem oferecer Algo (o coração)!
Hoje, precisamos de ansiar que o Messias venha e «Tenha na mão a pá para limpar a sua eira!»
Mas que venha também«…recolher o trigo no seu celeiro…»

 

Com Jesus… Eu quero Ser Trigo! Juntos somos Mais fortes!
Neste Natal, há Algo mais que devemos fazer.
Não basta partilhar o casaco que já não vestimos.
Não basta distribuir chocolates pelas crianças que precisam de um doce abraço.
Não basta fazer a viagem de 4 horas para visitar os avós que já não vemos há 1 ano.
Não basta!!!
Ser trigo… Ser Baptizado com a água que é fogo e nos faz Ser alegria… é tudo isto e muito MAIS!

 

Neste Advento, nestas 2 semanas finais, vamos rezar!
Além de tudo o que podemos e devemos fazer pelos outros,
vamos falar com Deus sobre os que mais sofrem…

 

Jesus, Menino que vem para Ser Luz,
aquece o coração de todos os que se abandonaram na rua do vício e da solidão!
Jesus, Menino que vem para Ser Alegria,
coloca um sorriso em todas as crianças que sofrem pela indiferença dos pais,
por uma doença, pela crueldade do mundo que criamos!
Jesus, Menino que vem para Ser Carinho
abraça aqueles que nos amam e tanto nos ensinaram, sem nada quererem em troca!

 

Vamos rezar uns pelos outros…
Eu vou rezar por ti! E tu? Não sentes aquele aperto que te faz gritar:
“Senhor, ajuda o meu irmão que sofre!”

Liliana Dinis

Cronista Litúrgica

Liliana Dinis. Gosta de escrever, de partilhar ideias, de discutir metas e lançar desafios! Sem música sente-se incompleta e a sua fonte inspiradora é uma frase da Santa Madre Teresa de Calcutá: “Sou apenas um lápis na mão de Deus!”
Viver ao jeito do Messias é o maior desafio que gosta de lançar e não quer esquecer as Palavras de S. Paulo em 1 Cor 9 16-18:
«Porque, se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar. (…) Qual é, portanto, a minha recompensa? É que, pregando o Evangelho, eu faço-o gratuitamente, sem me fazer valer dos direitos que o seu anúncio me confere.»

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