E o Humano?

Crónicas 27 novembro 2018  •  Tempo de Leitura: 3 min

É um assunto sério, este do humano! É algo com que cada dia que passa mais me preocupa ou mesmo me assusta. Vivemos num mundo onde educamos os nossos jovens a serem empreendedores para "vingarem" na vida como nós adultos. Tantas vezes impingimos-lhes os ideais dos heróis ou, no mínimo, dos líderes ou vencedores…

 

Vejamos a "catrefada" de futebolistas, no caso português que pouco se interessa por outras modalidades desportivas, que propomos como modelos a seguir! Se não me dão crédito, basta assistirem a treinos ou jogos nos clubes de bairro, aldeia, freguesia ou associação desportiva.

 

Anotemos as "resmas" de atores e cantores que os nossos adolescentes querem imitar! Se não me dão razão, vejam os festivais de verão. Vejam as filas para ter os primeiros lugares. Reparem na "histeria" nas redes sociais com publicações de bilhetes adquiridos ou fotos presenciais.

 

O problema está mesmo em nós, adultos. Muitas das vezes projetamos nos mais novos as nossas frustrações. Não fomos grandes desportistas e então… Ou até damos o exemplo nessa "histeria" cinematográfica e musical…

 

A pergunta que me faço, a mesma que faço a quem me lê: Onde está o humano?

 

Onde habita a fragilidade do ser pessoa? Onde mora o fracasso e a dificuldade? Só a pessoa de "sucesso" é feliz? Só a pessoa que tudo consegue é humana?

 

Estas questões, cada vez mais preocupantes para mim que lido de perto com crianças e jovens, ganham mais importância como cristão. Este fim de semana celebramos Cristo Rei. E que Rei foi Cristo na sua passagem pela Palestina? Não disse Ele: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». (Cfr  Jo 18, 36)

 

Nós não somos "daqui". Apenas estamos de passagem. O crente acredita que a plenitude da vida é no "regaço de Deus". Que nos interessa ser "invictus"? Que nos interessa ser heróis?

 

Preocupa-me esta falta de humanidade. Preocupa-me esta impreparação para o insucesso. Preocupa-me esta falta de sensibilidade para a dor e para o sofrimento. Mas é nesta fragilidade que Jesus no redime!

 

Não quero "negar" aos jovens a aspiração a uma realização pessoal. Nada disso! Desejo que saibam que essa realização faz-se vencendo obstáculos. Percebam que ninguém é feliz sozinho. Compreendam que tal como eles, ninguém é perfeito. Quero que entendam que se chora de tristeza e dor, como de alegria e felicidade.

 

É nesta fragilidade do humano que Jesus nos salva. É esta a Sabedoria da Cruz: Jesus, verdadeiro Deus, assumiu a fragilidade humana. Por isso, verdadeiro Homem, padeceu sob Pôncio Pilatos, mas ressuscitou ao terceiro dia e… Reina!

 

Neste fim de ano litúrgico, desejo-vos uma semana plena de humanidade.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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