O Outono mostra-nos quão bonito é …

Crónicas 20 novembro 2018  •  Tempo de Leitura: 3 min

Aproximamo-nos do fim do ano litúrgico e as leituras do ano B "atormentam-nos" com um fim difícil de aceitar: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas». (Mc 13, 24-25)

 

Se fizermos a exegese do texto, logo veremos que Jesus referia-se à destruição do Templo. Mateus ao contrário de Marcos,  estende este discurso à destruição do Mundo. Os prodígios cósmicos, neste caso o sol e a lua, servem para descrever as poderosas intervenções de Deus na história, tão típicas nos profetas do Antigo Testamento. Neste discurso escatológico, ambos pretendem demonstrar qua após estas últimas coisas, virá o Filho do Homem com grande poder e glória.

 

Li no facebook, na página «Li e gostei», a frase que em parte serve de título a esta crónica: «O Outono mostra-nos quão bonito é libertar o que já não nos serve».

 

Conheço tanta gente que fica maravilhada com as cores de Outono. Tanto ou mais que o florir da Primavera. Estas cores outonais só são possíveis porque as árvores se "libertam" das folhas que já não servem para a sua sobrevivência e, assim, ficam a aguardar pela Primavera.

 

Creio que está aqui uma sabedoria que os cristãos têm que assimilar. Não que já não o façamos: o que é o luto, perante a morte de um familiar ou amigo? Não é o deixar partir?

 

O sofrimento e a morte são, sem dúvida alguma, tempos de tribulação. No entanto, creio eu, que podemos ir preparando esse acontecimento na vivência diária do despreendimento das coisas. Quanto mais nos "agarramos", maior é a dificuldade de aceitar o sofrimento e a morte nossa e a dos que nos são queridos… Nada fácil.

 

Mas não seria mais aprazível viver o nosso quotidiano se fossemos capazes de nos libertar do que não nos serve tanto assim? Tantas vezes permanecemos agarrados a coisas ou ideias que, um dia… Não nos farão falta nenhuma.

 

Tenho partilhado com casais, consagrados, celibatários, membros influentes de organizações e empresas, dirigentes de grupos juvenis ou empresariais, o seu dia a dia, e lanço-lhes, muitas vezes perante dificuldades pessoais ou laborais, a pergunta: É importante para a tua felicidade atual e futura? Consegues viver sem que a tua premissa, a tua vontade seja posta em prática?

 

Tantas vezes digo, ou dizemos, que os outros não "nos ligam nenhuma". Sou capaz de "ligar" ao que outro me diz, ou "agarro-me" ao que eu digo? Será que o que digo ou penso, é importante "para o fim dos tempos"? Sou capaz de "deixar andar" porque o que interessa não sou eu ou o que penso?

 

Este despreendimento, praticado como a "rotação das estações", ajudar-nos-á a deixar este mundo com a Esperança da nova e eterna Primavera.

 

O essencial é Cristo!

 

Uma santa e desprendida semana.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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