Olha para os outros como queres que olhem para ti!

Crónicas 12 setembro 2018  •  Tempo de Leitura: 2 min

É demasiado fácil encontrar defeitos nas pessoas que conhecemos. Dizemos que gostamos muito de determinada pessoa mas falta-lhe isto. Ou aquilo. O pior é que é muito teimosa. Ou ainda, acha que tem sempre razão. Ou até, é pouco humilde, muito individualista. Se pensarmos bem, a lista não terminaria por aqui, pois não?

 

É demasiado fácil apontar as fraquezas alheias e, mais ainda, ousar ficar feliz por julgarmos que não são (de todo!) as nossas. Não precisamos de óculos para ver os outros mas, para olhar na nossa direção, a conversa já é outra. São muitas as vezes que começamos uma conversa com: “Eu sei que também tenho muitos defeitos mas AQUELA pessoa… Já viste bem?”. E os nossos amigos, por serem nossos e por nos quererem bem, vão concordar connosco e dizer que temos toda a razão. Talvez não seja bem assim.

 

Não temos sempre razão. Não somos sempre capazes de olhar para os nossos defeitos e as nossas fraquezas com a “clareza” com que julgamos olhar para as dos outros. Aliás, se soubermos estar atentos ao que vamos fazendo e dizendo vamos acabar por ter vergonha de, num ou noutro momento, fazermos exatamente aquilo que, um dia, tínhamos criticado na tal pessoa. Claro que é difícil perceber que somos como todos os outros. Preferíamos ter uma costela ou uma veia de herói. Preferíamos sentir (sempre) que estamos a ser justos, corretos, sérios, sinceros, honestos. Mas não somos. Não somos sempre tão bons como julgamos ser e, isso, dói.

 

Quando doer, talvez seja o momento certo para pensar na forma como tratamos os outros. Como os julgamos. Como reviramos os olhos quando algo não nos convém ou agrada. Como somos imaturos, mesmo sendo adultos para tanta coisa.

 

Vale a pena saber olhar para os outros com a mesma generosidade com que olhamos para nós. Temos esperança de estar a fazer certo. A fazer bem. Pensemos que, provavelmente, também os outros julgam estar a fazer certo. A fazer bem. O desencontro entre o que se deseja e o que está, na realidade, a acontecer pode trazer mal-entendidos. Pode trazer aquela sensação de promessa que alguém não cumpriu.

 

Fica a dica: Olha para os outros como queres que olhem para ti!

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Marta Arrais

Cronista

Nasceu em 1986. Possui mestrado em ensino de Inglês e Espanhol (FCSH-UNL). É professora. Faz diversas atividades de cariz voluntário com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e com os Irmãos de S. João de Deus (em Portugal, Espanha e, mais recentemente, em Moçambique)

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