A escola e os «compromissos»

Crónicas 11 setembro 2018  •  Tempo de Leitura: 3 min

Defino setembro como o mês do início ou reinício. O regresso à escola altera o funcionamento das famílias, sejam pais, tios ou avós. Também as paróquias voltam ao seu normal funcionamento com as inscrições na catequese ou demais grupos e movimentos ligados à Igreja. Pessoalmente, enquanto professor, significa regressar a Lisboa e voltar ao trabalho.

 

Neste regresso à capital, tomei conhecimento que dois casamentos, filhos de duas amigas, foram desmarcados apenas a alguns dias de se realizarem. O que é que estes têm a ver com o recomeçar?

 

Nos últimos anos e no meu relacionamento com os jovens tenho vindo a verificar que estes têm cada vez mais dificuldade com o "compromisso". Aliás, é uma realidade que é por mais evidente a quem trabalha com jovens, seja na catequese, ou na escola, em atividades desportivas, entre outros.

 

As razões são numerosas. No entanto, há uma que me parece clara e que necessita de rápida correção: o protecionismo familiar. Os nossos jovens, desde tenra idade, são cada vez mais "protegidos" por parte dos adultos a começar pela família.

 

Enquanto professor, tanto no exercício da docência, como na partilha com imensos colegas do norte ao sul do país, reparo que na escola tem vindo a manifestar-se de um modo crescente e por vezes exasperante esta atitude protetora, quase obsessiva, por parte dos pais relativamente aos filhos. Estes são defendidos a todo o custo. Não são raros os casos de violência que, de tempos a tempos, passam nos órgãos de informação ou redes sociais. Ou então, nos encontros com professores e diretores de turma, as queixas contra o excesso de trabalho dos miúdos que, para além da escola, têm uma "carrada" de atividades extracurriculares.

 

«O "não", as proibições podem causar stress, depressão e desconforto nos nossos filhos… » Se a maior preocupação dos pais é a de ter os filhos protegidos do mundo, a escola, que tem como missão prepará-los para andarem nesse mesmo mundo, perde o sentido educativo e torna-se um lugar de entretenimento.

 

E o que está a acontecer? Estão a aparecer gerações inteiras que reivindicam uma grande lista de direitos e muito poucos deveres. Gerações que apelam à responsabilidade dos outros, da sociedade e do Estado, mas esquecem as suas próprias. São "vítimas" de uma mentalidade assistencialista. Têm medo do esforço e do sacrifício. Defendem uma liberdade sem limites…

 

A vida é um percurso cansativo, que exige rigor, empenhamento e criatividade. É para isto que deveremos preparar os nossos filhos e nós mesmos, porque no fundo, a escola é só o início de uma série de compromissos que teremos de aceitar ao longo da vida.

 

Um bom ano escolar para todos.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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