Uma gruta e um final feliz

Crónicas 11 julho 2018  •  Tempo de Leitura: 2 min

Não podia deixar de escrever sobre esta maravilhosa notícia. Foram salvas todas as crianças que estavam presas dentro de uma gruta na Tailândia. Foi salvo, também, o professor que as acompanhava e que, erradamente, as encaminhou para uma escuridão que duraria dezassete longos dias.


Há muito para dizer sobre esta história com contornos de aventura perigosa. Poderíamos enveredar pelo caminho de julgar aquele jovem professor. Mas eu prefiro o caminho de construir, sobre ele, um olhar de bondade e de compaixão pelo erro. Claro que nunca lhe será possível demitir-se da responsabilidade que teve. Do erro que, sem querer, cometeu. Ainda assim, este professor de apenas vinte e cinco anos, teve um papel fundamental e inegável na salvação e sobrevivência de cada uma daquelas crianças. Munido de uma força e resistência inacreditáveis, manteve vivos todos os que estavam à sua responsabilidade. Não lhes podendo dar tudo o que precisavam, deu (ainda assim) tudo o que pôde. Orientou-lhes os pensamentos e desviou-lhes as angústias e os medos. Domou os perigos que, a cada dia, entravam na gruta e manteve-os debaixo da sua asa. Iluminou-os com a esperança que teve sempre e que não parece ter escasseado.


Longe da realidade tailandesa e acompanhando as notícias à distância, todos nós sofremos com esta história. Todos tentámos adivinhar-lhe o fim e fomos esperando que fosse feliz. Foi bonito reparar que as pessoas suspenderam as suas preocupações habituais para se deixarem cativar e enternecer por uma história tão bonita. Tão cheia do que nos torna humanos e próximos. Deve ter sido por isso que vivemos esta notícia de forma tão intensa. Porque, de alguma forma, estivemos dentro daquela gruta com aqueles meninos. Porque, de alguma forma, todos tivemos aquela fome e aquela sede. Porque, de alguma forma, todos sabemos o que é cometer um erro que tem consequências na vida dos outros. Porque, de alguma forma, todos tivemos medo daquele escuro e daquela água a subir. Porque, de alguma forma, todos fizemos da esperança a nossa boia.


Porque, de alguma forma, todos fomos salvos e resgatados.

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Marta Arrais

Cronista

Nasceu em 1986. Possui mestrado em ensino de Inglês e Espanhol (FCSH-UNL). É professora. Faz diversas atividades de cariz voluntário com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e com os Irmãos de S. João de Deus (em Portugal, Espanha e, mais recentemente, em Moçambique)

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