Entrega

Crónicas 09 julho 2018  •  Tempo de Leitura: 3 min

Que o medo não me pare. Que o medo não nos impeça de sonhar, parando-nos no caminho. Que o rio chegue até ao mar. Evitemos as barragens. Chega já as que existem que a nossa insegurança não construa mais barragens. Não construamos barragens aos nossos sonhos. Não construamos barragens aos sonhos de Deus para nós. Não construamos barragens à vida. Deixemo-la correr. Deixemo-la acontecer em nós como se um rio se tratasse. Sabemos que a nascente é Deus. Não sabemos onde pára, onde acaba, onde chega. Simplesmente deixemo-nos ir. Entreguemo-nos. Entreguemos quem somos, quem queremos ser, os nossos erros, as nossas imperfeições e as nossas caídas. Entreguemos tudo ao senhor e deixemos que ele faça. Deixemos que ele atue. Deixemos que seja ele quem orienta o que acontece a seguir. Deixemo-nos ir com o movimento do mar. Deixemos a nossa alma flutuar. Deixemos que Deus a conduza. E se der medo que vamos com medo. E se der insegurança sigamos com insegurança. E se não soubermos que fazer, sigamos. Sigamos andando ou sigamos paradas mas sigamos. Simplesmente sigamos certas que um dia chegaremos aonde nos esperam, a quem nos espera e onde nos espera.
 
Que eu me converta um caminho até Ti e contigo. Eu estou perdida tantas vezes. Nunca demasiadas. Porque sempre que me perco é uma nova oportunidade de voltar a encontrar-me contigo. E haverá agora coisa mais bonita que ver-te de novo? Abraçar-te de novo? Viver-te de novo?
 
Dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. Então que estas sejam as minhas linhas tortas. Que seja eu torta para que tu me escrevas direito. Sejam os meus defeitos, cicatrizes e os meus erros as linhas tortas onde escreves a imperfeição e a imensidão do teu amor.
 
Onde erro? Por onde caminho? Estou bloqueada? Desbloqueia-me.
 
Estou errada? Acerta-me.
 
Estou perdida? Encontra-me.
 
Sou de ti. Sou teu instrumento. Assim sou. Assim vivo. Assim me comprometi. Mudaram muitas coisas mas a promessa mantém-se. Muda a vida, o local, a história e as pessoas. Mantém-se o sonho de amor. De um amor que nasce de Deus e que não tem barreiras, fronteiras ou regras.
 
Seja eu o que quiseres que seja. Sejam estas humildes palavras o que quiseres que sejam. Leva-as onde quiseres que vá. Chegue onde quiseres. É teu. Nasceu de ti. Vive de ti. É para ti. É para o mundo. É para que o mundo te veja. Seja eu torta para que tu sejas direito. Nasça da minha imperfeição, do meu erro e das minhas cicatrizes a perfeição do teu amor.

Paula Ascenção

Cronista

Leiga Missionária Comboniana por vocação. Gerontóloga de profissão. Nasci do amor e fiz d’Ele o meu caminho e missão. O meu lema de vida é “Ama e farás o que quiseres”. Peregrina de mim, viajante da vida, do mundo e das pessoas. Levo o coração como bússola e o amor de Deus como mapa no bolso de trás.

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