Quantas guerras são precisas?

Crónicas 12 junho 2018  •  Tempo de Leitura: 3 min

«Cada um de vós dê-me um avião, um dos vossos bombardeiros. Aprendi que cada uma dessas aeronaves custa cerca de cinco milhões de francos... E calculei que, com o valor de dois desses aviões de morte, poder-se-ia curar todos os leprosos do mundo. Menos um avião a cada um dos países, não modificará o equilíbrio das vossas forças... Vós poderias dormir tranquilos. Mas eu, eu dormirei tranquilo. E milhões de pessoas pobres, finalmente conseguiriam também...» Disse em 1954, Raoul Follerau, o jornalista e poeta francês que lutou contra a lepra.

 

O seu apelo permanece válido hoje, dia em que se reúnem o presidente norte-americano, Donald Trump, e o seu homólogo norte-coreano, Kim Jong-un. Ouso dizer que hoje é ainda mais urgente, visto que vivemos num planeta armado até aos dentes.

 

Na oração do Angelus deste domingo, o Papa Francisco disse: «Que os colóquios que vão ter lugar nos próximos dias, em Singapura, possam contribuir para o desenvolvimento de um percurso positivo, que assegure um futuro de paz para a Península Coreana e para todo o mundo.» A desnuclearização da Coreia do Norte tem sido uma das preocupações da diplomacia da santa Sé.

 

Deve ser uma preocupação de todo o cristão. Não apenas de quem exerce funções de governo das nações. Todos, nos "seus mundos", pequenos ou grandes, devem ter um papel ativo na construção da paz e não apenas na ausência da guerra ou "guerras".

 

Termino com as palavras de D. Tonino Bello: «Quem ama a paz, tem a coragem de compreender plenamente as consequências de certas verdades. Não tem medo de dizer como estão as coisas, mesmo quando as suas palavras estragam a digestão dos poderosos. Não amacia a profecia com truques diplomáticos, para não causar desgosto a alguém. Coloca o dedo na ferida da injustiça, sem ter medo de retaliação. Não se detém se for preciso dizer que a lógica do aumento dos gastos militares colide com a do Evangelho. Não dá aval, com silêncios cúmplices, ao extermínio de povos inteiros pela fome. Não se esconde atrás do escudo da prudência para permitir a loucura dos poderosos. Não tem medo do risco da impopularidade quando denuncia até à exaustão a trágica aritmética da pobreza, a dívida do terceiro mundo, os direitos humanos, a corrida absurda ao armamento atómico que está a preparar o holocausto planetário.

 

Ele faz tudo isso não por cálculo político, mas porque ele sabe que todo homem, seja qual for a cor ou pertença, traz consigo um pedaço de Deus.»

 

Uma semana pacificadora.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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