Quaresma e liberdade

Crónicas 22 março 2018  •  Tempo de Leitura: 1 min

Houve tempos em que não gostava nada da quaresma. A imagem que rapidamente me vinha ao pensamento era a da penitência e sofrimento. Como padre, apercebo-me que, infelizmente, ainda anda por aí esse modo de viver a quaresma: "quanto mais sofrimento melhor, afinal Jesus sofreu por nós e nós somos uns ingratos." É certo que sofreu. É certo que pode haver ingratidão. No entanto, a quaresma, em toda a sua beleza, leva ao reconhecimento do imenso que somos e que desconhecemos, em especial diante de Deus, que deseja o nosso crescimento pessoal e comunitário. No meio de tanto ruído, exterior e interior, há notas perdidas que não são tocadas na sua harmonia. Por isso, ter tempo para mim, deixando silenciar o coração, faz-me perceber a força do grito ou do simples sussurro a viver com Deus. Ao libertar o que levo atravessado, as mãos desprendem-se e posso servir melhor. O caminho de quaresma, passa pelo silêncio, pelo desprendimento e pela entrega. Ao ler os textos propostos para este tempo, tal como no Advento, vejo a riqueza do que nos é dado rezar. O sofrimento pode fazer parte da vida, mas a Vida é convite de passagem para a alegria da autenticidade.

 

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