5º Aniversário do Pontificado de Francisco

Crónicas 13 março 2018  •  Tempo de Leitura: 4 min

«Num sábado apareceu-lhe uma mãe com uma criança ao colo, pedindo-lhe ajuda porque o filho estava a morrer de fome. Ele respondeu que era sábado, mas que na segunda-feira lhe resolveria o sério problema. A mulher respondeu-lhe: ‘senhor bispo, o meu filho está a morrer de fome no sábado, não é na segunda-feira’. Ele (Jorge Mario Bergoglio) resolveu imediatamente o problema. Pela conduta ensinou a nós todos que em nenhum sábado se pode ficar à espera de segunda-feira», disse Adriano Moreira, ontem numa conferência sobre este 5º aniversário do pontificado de Francisco, na Universidade Católica em Lisboa.

 

Francisco é um Papa que fala com os gestos, mesmo antes das palavras. Faz-se próximo e vai ao encontro das pessoas. Abraça e conforta, e fá-lo com a espontaneidade de um latino-americano. Podemos vê-lo nas audiências ou quando se desloca ao estrangeiro. Dedica muito tempo ao contacto direto, ao diálogo com gestos. As pessoas sentem-no próximo. Quantas vezes manda parar o carro que o transporta para dar um abraço, um beijo, uma bênção, um pouco de conforto...

 

Dentro da Igreja, a imagem do Papa, reflete um pouco o que se passa fora dela. Ou seja, a base da Igreja admira imenso Francisco. Mas esta muda com alguma facilidade assim que se "sobe" na hierarquia. De tempos a tempos, lá se ouvem vozes resistentes dentro da Cúria e em alguns bispos. O padre Tolentino, presente na mesma conferência e pregador do retiro quaresmal deste ano ao Papa e restante Cúria Romana, respondeu a uma pergunta direta do núncio apostólico em Portugal, Rino Pazzigato, que não viu nenhuma tensão naqueles dias. Antes o contrário, muita unidade e simplicidade. Porém, nós sabemos, porque são públicas algumas dessas resistências.

 

Pessoalmente não tenho dúvidas que elas devem-se ao facto de Francisco querer uma Igreja que esteja nas periferias. Uma Igreja que se identifique com os mais pobres, que perceba os dramas da sociedade dos nossos dias. No fundo, uma Igreja que esteja onde estão os que sofrem. Uma Igreja em saída e não fechada sobre si própria como se fosse um 112 a quem se liga quando há uma emergência.

 

Para estar disposta a sair, a Igreja tem que ser simples e despojada. É esta a imagem que vejo na cruz peitoral, o sentir o cheiro das ovelhas, o estar no meio delas como pastor. A mesma imagem vejo na bolsa que transporta sempre que viaja, onde leva a máquina de barbear, um ou outro livro e o breviário, assim como um simples padre. Tal como os sapatos, simples e lisos, são os de um padre que "se faz à estrada" na evangelização e no encontro do outro.

 

Uma curiosidade. Nas primeiras semanas do seu pontificado ouviu-se pelo vaticano que era ele que "puxava o lustro" dos próprios sapatos. Disse: "Não deixarei de fazê-lo só porque me tornei Papa".

 

A escolha do nome de Francisco diz tudo sobre este Papa. São Francisco de Assis foi um grande reformador. Um reformador enquanto homem do Evangelho, porque quem coloca ao centro Jesus de Nazaré e a sua boa notícia, é automaticamente um "reformador da Igreja". E é isto que vejo no Papa Francisco:  Jesus e o Evangelho acima de tudo. Daqui o desejo de uma Igreja pobre com os pobres, uma Igreja em saída.

 

Francisco já era assim enquanto cardeal arcebispo de Buenos Aires e como vemos na história daquela mãe com a criança ao colo, que tão bem recordou o professor Adriano Moreira.

 

Como conclusão destes cinco anos. Não podemos dizer que só se pode dizer bem do Papa e que não devemos ousar criticá-lo. Temos que concordar que acima de tudo devemos ter a coragem de meter ao centro da nossa vida o Evangelho. Quando não o fazemos é fácil criticar quem o faz.

 

Parabéns, Papa Francisco! Continuo a rezar por si.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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