Como chegamos a uma decisão?

Crónicas 12 janeiro 2018  •  Tempo de Leitura: 3 min

Pensamos para decidir bem, mas o momento da decisão não é racional. Decidir é passar da deliberação à ação, deixando o pensamento para trás. A decisão implica sempre uma cisão, uma rutura, um corte.

 

O momento crítico da decisão é uma espécie de salto interior que estabelece uma distância enorme entre o antes e o depois. Um instante chega para que mudemos de rumo e comecemos um novo capítulo na história da vida.

 

Decidir é preferir entrar por uma porta, o que implica preterir todas as outras. E há quem não consiga aceitar que a vida é feita de sacrifícios que exigem deixar para trás coisas boas, em vista de outras, melhores.

 

As dúvidas e incertezas não desaparecem com a decisão. Muitas vezes, se lhe dermos espaço interior, até aumentam. No entanto, como é tempo de aplicar o que se determinou, devemos guardar para depois as análises e avaliações. Se passarmos o tempo à espera de resultados, não fazemos nada. Há tempo para pensar e tempo para agir. Decidir não é só mudar de um tempo de meditação para outro.

 

Não devemos cair na tentação de ficar à espera que as circunstâncias e o tempo decidam por nós.

 

Quantas decisões importantes são tomadas com base em detalhes ou estados de espírito passageiros? Mas antes assim do que as que à custa de tanta cobardia face ao medo se adiam ao ponto de renunciarmos ao essencial da nossa liberdade.

 

Cabe a cada um de nós determinar os seus objetivos e descobrir a sua missão.

 

Decidir não é apenas escolher onde colocar o pé no próximo passo, é também decidir quando será dado. Mais, é dá-lo no sentido e no tempo certos.

 

As hesitações não são prudentes, são fúteis e fatigantes. A existência é determinada pelas nossas decisões, não pelas nossas circunstâncias. De que vale saber a solução depois do tempo? Quem espera pela perfeição para agir nunca faz nada! Querer saber tudo para depois decidir é o mesmo que viver num mundo onde não fazemos falta.

 

Os compromissos são duradouros e têm decisões concretas como pilares. Deixamos de ser decisores para passarmos a ser a própria decisão.

 

O medo paira em torno dos que escolhem ser senhores do seu destino. A sua força está em aceitarem que a vida é mesmo assim: uma aventura cheia de altos e baixos onde a felicidade é a alegria de sentir que, apesar de tudo, nunca paramos de seguir para diante! O que passa será passado, apresentemo-nos nós ao amanhã.

 

As consequências das nossas resoluções são sempre mais do que aquelas que nos é possível prever. Mas decidir é abrir portas e avançar, não é fechá-las e escondermo-nos.

 

Se não souberes para onde ir, toma atenção ao vento que sopra… e vai, não para onde ele vai sem ti… mas para onde tu queres ir, com ele.

Artigos de opinião publicados no site da Agência Ecclesia e Rádio Renascença.

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