O meu próximo? Um saco de limões partilhado!

Crónicas 11 janeiro 2018  •  Tempo de Leitura: 2 min

Quis fazer a experiência de deixar na caixa do correio uma pequena lembrança de Natal para cada um dos vizinhos do prédio. Para desanonimatizar. 

É isso, num  mundo em que parece que somos anónimos e indiferentes uns  aos outros e a correria do dia-a-dia nos faz entrar e sair de casa sem olhar muito para o lado, podem ser necessários gestos de proximidade. E se são necessários!

As surpresas não se fizeram esperar com cartões de boas festas e até um saco de limões dos vizinhos que habitam a mesma estrutura que eu.

Oh, como é belo e refrescante passar da estrutura física à estrutura do coração!

Oh, como isso renova a vida e cria propósitos de mudança em tantos!

Fico a pensar no que temos que caminhar no nosso mundo para que caiam os muros e nos façamos próximos de verdade. A começar por quem vive bem perto de mim. A começar por mim.

Fico a pensar nesta forma de comungarmos e de entrarmos e sairmos não pela mesma porta de entrada do prédio mas pela porta do coração que nos permite acolher a vida de cada outro como um não estranho. 

Fico a pensar que, afinal, a vida só nos pede gestos simples e que apenas cabe a mim e a ti dar o primeiro passo.

Afinal, há passos que não precisam de ser gigantes mas precisam de ser próximos.

Fico a pensar que desanonimatizar – passar do anonimato ao trato com afeto e proximidade que me pede cada pessoa – pode ser um compromisso para este ano.

Quem sabe a humanidade fique mais enriquecida pela partilha de um saco de limões.

E é tão refrescante o sabor da proximidade! 

Cristina Duarte

Cronista

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